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Os 7 “is” do stress

Há 7 grandes “i”s no stress e conhecendo-os, abrem-se várias oportunidades a cada um de nós para o aproveitar. Aproveitar??? Julgava que a finalidade era controlar o stress, eliminá-lo da sua vida, reduzi-lo a uma dimensão de quase nada? Pois, a ciência diz-nos que o stress não é necessariamente mau, apesar de, nas últimas décadas, se andar a fazer dele um bandido mauzão. A ideia é transformá-lo! Quais são, então, os 7 “i”s que assinam o stress e de que lhe queria falar hoje?

 

Imoral

O stress é imoral

Vou pedir-lhe que, no próximo minuto, pense nos acontecimentos stressantes da sua vida no último ano ou, se for daqueles felizardos com muito pouco stress, dos últimos 5 anos. Não vale fazer batota! Tem mesmo de fazer uma lista rápida daquilo que lhe provocou stress!

Já pensou?

Pensou mesmo?

Olhe que senão, não vale!

Vá, mais um esforço a puxar pela memória…

Então, agora vamos a uma aposta: aposto que tudo em que pensou é negativo. A sua memória ouviu falar em stress e foi à procura das coisas más que lhe aconteceram, verdade?

Pois deixe que lhe diga que o stress é imoral: não conhece certo e errado, bom ou mau. Stress é o que acontece quando tem de mobilizar recursos pessoais internos para lidar com algo diferente, novo, que foge ao rame-rame da rotina.

E sim, claro, isso inclui as coisas más: as perdas, as angústias, as doenças, as mudanças que gostaríamos de ver ao largo.

Mas também inclui o nascimento de um filho, uma promoção no trabalho, a mudança para a casa dos seus sonhos, o casamento,…

 

Habitue-se a procurar mudanças ao fluir da sua vida para conseguir antever reacções de stress. O que nos leva ao segundo “i”.

 

Invisível

O stress é invisível

Como é que sabe que está constipado? Ou que tem uma perna partida? Ou uma enxaqueca? Ou…? Simples, não? Há um conjunto de sintomas invariáveis, conhecidos, partilhados por todos, claramente observáveis por quem os sofre e que nos fazem logo pensar: “é isto que se passa comigo”.

A reacção de  stress, por outro lado, é algo que tem de ser deduzido, porque varia de pessoa para pessoa e mesmo na mesma pessoa ao longo da sua história de vida. Claro que o conjunto de sinais não é infinito, mas é suficientemente grande para não ser claro para um olhar não treinado, tornando a reacção de stress bastante invisível para cada um de nós.

 

A melhor regra para o tornar visível é procurar por alterações no seu funcionamento normal:

  • físico (energia, padrões de sono ou alimentares, surgimento de dificuldades imunológicas, como constipações frequentes, etc)
  • emocional (impaciência, irritabilidade, ansiedade…)
  • cognitivo (desconcentração, flutuação de atenção, dificuldades em decisões, desorganização,…)
  • comportamental e relacional (impulsividade ou retracção social, alterações significativas e espontâneas nos hábitos,…)

 

Há alterações nos seus padrões de funcionamento? Agora olhe para o que lhe tem vindo a acontecer nos últimos 6 meses; existiram alterações na sua vida que determinaram mudanças significativas, boas ou más? Hummm…. Talvez esteja a ter uma reacção de stress. Assuma, como se diz nos Estados Unidos, que se anda como um pato e fala como um pato é porque deve ser um pato.

E depois? Dá um tiro no stress? Vamos ao 3º “i”.

 

Inevitável

O stress é inevitável

Esqueça as teorias New Age de paz-e-amor-na-terra e vamos-todos-voltar-às-origens-e-ter-uma-vida-santa, porque isso não vai acontecer… O stress rodeia-nos porque decorre da mudança e a mudança é o que sustenta a vida (já a eternidade, segundo consta, é assim meio paradita…). E as próprias origens foram, segundo consta, um bocadinho stressantes, com uma expulsão do paraíso.

E, se as coisas mudam, o organismo adapta-se. A factura que paga por essa adaptação chama-se stress. Inevitável e, se pensarmos bem nisso, uma reacção muito saudável! Porque a alternativa seria a mudança embater num corpo rígido e parti-lo e, pensando nas coisas dessa forma, mais vale o ranger de uma árvore que abana com o vento, do que o “crac” de uma árvore que foi derrubada.

 

Quando nos queremos preparar para o stress o melhor que temos a fazer é:

  • cuidar das nossas fundações de bem-estar, garantindo uma base simultaneamente sólida e flexível, em permanência, para não sermos surpreendidos com as ventanias da vida
  • identificar que estamos a reagir, e fazê-lo de uma forma consciente e controlada, por oposto a abanarmos descontroladamente e em ansiedade por não estarmos a perceber o que se passa connosco
  • cuidar dos aspectos que fizeram com que o nosso organismo considerasse que valia a pena uma estratégia de adaptação, o que nos leva ao 4º “i”

 

Importante

O stress é importante

Apesar de muitas pessoas acharem que o trânsito lhes “dá stress”, isso é apenas uma confusão entre fonte de stress e reacção ao stress. Quando estamos a reagir ao stress, a impaciência ou irritabilidade pode ser um dos sinais dessa reacção – consequência, não causa. A causa do stress é algo que nos fez entrar em modo de adaptação a novas circunstâncias. E o ser humano tende para a estabilidade e manutenção do status quo, por isso só se dá ao trabalho de iniciar um processo de adaptação à mudança se o que estiver em jogo for importante.

 

Pense na reacção de stress como a face visível de uma grande operação de produção de energia. E pense que isso só acontece se tiver, instintivamente, identificado algo de importante que está a ser colocado em causa. E, agora, comece a pensar como quer lidar com esse aspecto importante para si. Por vezes, existem decisões a ser tomadas. Em muitas outras situações, existe a necessidade de encontrar um espaço dentro de si que seja de aceitação, serenidade e tolerância. Em qualquer circunstância, é sempre melhor estar consciente do que se passa e a segurar, bem firmes, as rédeas da sua vida :=)

 

Imitador

O stress é imitador

Os sinais com que o seu cérebro decide comunicar-lhe que está a ter uma reacção de stress não são uma grande inovação específica ao stress. O espirro, sim, é uma “palavra” do organismo com direito a definição clara no seu dicionário: ou se constipou ou reagiu alergicamente a qualquer partícula. Não há muito mais que possa ser inventado a partir de um espirro. Perante uma queixa de espirros continuados, um médico não lhe vai dizer que “isso é stress”. Mas o stress imita, na sua variedade de sintomas e na sua variação muito individual, sintomas que pertencem a diversos quadros clínicos. E, muitas vezes, não é fácil, quando o conjunto desses sintomas não é muito específico, apurar-se um diagnóstico físico. Alia-se a isto a ter-se tornado voz corrente, quase cultura popular, que o stress e a ansiedade são suspeitos para tudo.

Por isso, quando estiver preocupado com algo físico e procurar um médico que, sem uma investigação aprofundada, lhe diga que “não é nada”, “é do stress/ansiedade”, seja conservador e procure uma segunda opinião. Muitas vezes, é absolutamente verdade: é o imitador do stress a imitar uma doença física; outras vezes, há algo orgânico que pode e deve ser tratado. Com total independência de também poder estar “em stress” ou sofrer de uma ansiedade que já passou o limite do saudável. A vida está cheia de paralelas, e uma não exclui a outra.

 

Imprevisível

O stress é imprevisível

É tão, mas tão tentador, achar que se está a acontecer algo de significativo nas nossas vidas, então é suposto nós estarmos a reagir-lhe com stress… Tentador, mas não verdadeiro. Os acontecimentos, externos ou internos, interagem com múltiplos factores que estão em jogo para cada um de nós a qualquer momento e, por isso, há uma dose de imprevisibilidade importante na forma como reagimos a cada circunstância e, sobretudo, a nossa reacção não segue padrões do que é socialmente esperado. Não deixe que lhe digam como está a reagir. Mergulhe dentro de si, sinta as suas reacções, repare nos seus padrões de comportamento, emoção e rendimento intelectual e decida por si se está ou não a ter uma reacção de stress.

 

Além disso, a forma como reagimos vai-se modificando ao longo da vida, apesar de todos termos uma noção de continuidade e estabilidade que nos diz “eu sou assim”. Felizmente, mudamos. Felizmente, porque é sinal de aprendizagem contínua, progressão e crescimento. Também é sinal de biologia – acho particularmente curioso o facto de que há 7 anos atrás quase nenhuma das células que agora compõem o meu corpo serem as mesmas. Cada partícula que faz de mim, mim mesma, foi renovada. Por isso, esperar que me mantenha igual seria algo de surpreendente, certo? Os seus sinais de stress vão sendo modificados ao longo da vida, pelo que convém manter boas vias de comunicação consigo mesmo, escutar-se atentamente, para saber identificar o que se passa consigo.

 

Idiossincrático

O stress é idiossincrático

Um fica dominado pela irritabilidade. Outro angustia-se nas noites de pestana aberta. Um queixa-se de andar com memória de peixe. Ainda outro faz-se melhor amigo de anti-ácidos. A muitos dói-lhes a cabeça, que – sim – o stress é uma dor de cabeça. Cada um é como cada qual, o que acresce em dificuldade em se conseguir apontar o stress como “aquilo que se passa e deve ser endereçado”.  Conte sempre com um profissional em saúde devidamente qualificado para apurar se as queixas que tem são derivadas de stress a mais na sua vida.

 

“E”, já agora…

E, já agora, talvez queira fazer o curso de stress que preparámos para si, todo online: O stress e eu

Autora: Madalena Lobo, Direcção Geral, e com grande experiência em stress, se é que me percebe ;=)

Maio 22, 2017

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