In Brain Company

Esqueça tudo o que sabe sobre o que o faz feliz no trabalho

E saiba o que é mesmo importante!

Comecei bem? 🙂

Por acaso não.

Por dois motivos: um é que ninguém é capaz de esquecer seja lá o que for só porque quer esquecer. E o outro é que nós sabemos coisas a dois níveis: o nível consciente, que está cheio de informação que nos esforçamos por lá meter; e o nível abaixo da consciência – o que sabemos sem saber. Pessoalmente, tenho grande fé neste manancial de informação que todos temos cá dentro e que vai sendo processada sem grande intervenção consciente nossa, e lá nos vai dando sinais e até conduzindo decisões. E é por ter essa grande fé que acredito que não lhe irei dizer nada de novo – ou pelo menos, nada de novo face àquilo que o seu subconsciente, bem lá no fundo, sempre soube.

 

Ora vamos a isto!

Em termos profissionais, qual é coisa, qual é ela, que tem o maior impacto na sua saúde e bem-estar, bem como na sua produtividade? Um salário chorudo? Um chefe que escorre simpatia? Instalações magníficas? Funções exactamente como as queria? Carro da empresa e mais uns quantos benefícios adicionais?

 

Pois não.

Pensamos estas coisas durante processos de tomada de decisão profissional, e pensamo-las conscientemente, como pedaços de informação que achamos que irão fazer a diferença na escolha de um emprego, normalmente à falta de melhores dados que nos ajudem a escolher ou a tranquilizar-nos com a opção possível. Mas, de facto, aquilo que tem um impacto significativo na sua saúde física, na sua satisfação profissional e até no seu desempenho objectivo é… o nível de identificação social que tem com a sua equipa de trabalho e com a própria organização, que traz sentido e propósito à área ocupacional.

 

Nível de identificação social?

Resumindo o conceito de uma forma simples: até que ponto pensa em “nós”, por oposto a “eu e eles”. E os resultados, também de uma forma simples, traduzem-se como? A sensação de “nós” – eu pertenço aqui, identifico-me com estas pessoas, partilhamos algo – aumenta a probabilidade de se sentir energizado e cheio de vigor; a sensação de “eu e eles” – eu não me identifico com estas pessoas ou com estes valores – leva-o pelo caminho da exaustão e potencial burnout.

 

E então?

Como aplica isto à sua vida? Há sempre duas ópticas: a da prevenção e a do conserto. Se está à procura de emprego, preste atenção aos múltiplos aspectos que são passados pelas empresas e que as definem num quadro de valores e forma de estar. Quando estiver numa entrevista de emprego com a empresa empregadora, inclua na sua análise do que se está a passar a forma como se sente na relação com as pessoas que dão a cara pela organização.

Se está colado a um emprego do qual não vislumbra forma de sair tão cedo, lembre-se que as equipas tanto são formais (a equipa com quem lhe saíu na rifa trabalhar e sobre a qual não tem grande escolha), como informais (aquele conjunto de pessoas que tacitamente resolvem ir almoçar juntas e até mesmo, às vezes, encontrarem-se em ambientes sociais). Em relação a estas últimas, tem total liberdade de escolha – seja sociável e encontre um grupo de referência dentro da sua empresa, com quem partilhe um sentimento de identificação social. Garantidamente que lhe vai fazer bem!

 

Mas isto é mesmo assim?

No caso de ter ficado na dúvida quanto à propriedade destas conclusões, deixo-lhe, abaixo, a referência do estudo em que me baseei para este atrevimento de lhe dizer que um salário bom dá jeito, mas o que contribui mesmo para a sua saúde é este tema de identificação social. E deixo-lhe uma nota de peso: resultou de uma meta-análise (um estudo de estudos publicados), que avaliou aprofundadamente 58 estudos, a abrangerem 19.000 pessoas um pouco por todo o mundo. Mais convencido? Então, agora, faça uma pequena pausa para ir tomar um cafezinho com alguém aí do seu trabalho e conviver um pouco!

 

Fique bem!

Autora: Madalena Lobo

 

Referência do estudo:

  1. N. K. Steffens, S. A. Haslam, S. C. Schuh, J. Jetten, R. van Dick. A Meta-Analytic Review of Social Identification and Health in Organizational Contexts. Personality and Social Psychology Review, 2016; DOI: 10.1177/1088868316656701

 

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